Diário de um brasileiro pela primeira vez nos Estados Unidos da América. #1

Publicado 6 de maio de 2015 por anderson.
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Hoje é meu terceiro dia aqui em terras norte americanas.
Cheguei no domingo após uma longa viagem, que teve escala em Atlanta(pelo pouco que vi, uma bela cidade) com espera de 2 horas(em pé numa fila) para passar pela imigração e depois desembarquei em Cincinnati, capital do estado de Ohio.

Primeira impressão ao chegar aqui: será que estou na África? Todos os funcionários da imigração no aeroporto eram negros. Vou me limitar a dizer que achei curioso, pra não entrar entrar numa discussão mais profunda sobre história, racismo, etc…
Depois disso, já em Cincinnati, ao desembarcar pude perceber várias e várias coisas interessantes sobre o ser humano norte-americano e por consequência sobre mim também um cidadão brasileiro.
Os norte-americanos simplesmente fazem as coisas por completo e bem feita. Diferenças mínimas…
Os parques são bem cuidados, onde tem grama ela é cortada, onde tem concreto ele é acabado e onde não tem nada fica limpo. Fácil né?
Aqui também a cultura do carro é muito forte. Principalmente por estarmos próximos a Detroit e por grandes empresas automobilísticas já terem fábricas aqui na cidade. No Brasil a cultura do carro também é forte. Mas… aqui as ruas são largas, o sistema viário é abundante de rodovias, estradas e avenidas todas com várias faixas. Sem contar que qualquer estabelecimento tem um estacionamento gigantesco. Não achar uma vaga? Quase impossível. Só para completar, tentei ir a um restaurante a pé e quase desisti. Por aqui carro é tão importante quanto as suas pernas.
O povo daqui é amável, atencioso e educado ao extremo. Acho que é a tal da educação, não é? Aqui tem para todo mundo se não me engano.
A comida ainda não é um problema mas já consigo prever que será.
Ou encontro um restaurante com comida mais próxima à brasileira ou voltarei para o Brasil com 20 kilos a mais na bagagem. Bagagem essa que deve voltar só com os quilos a mais mesmo, porque os produtos até agora não estão compensando a compra por aqui.
Por enquanto é isso.
See you…

Visita inesperada

Publicado 24 de junho de 2011 por anderson.
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Oi Dona Tristeza!
Tudo bem?
Ai, ai. Que pergunta né?
Eu sempre pergunto por educação, mas claro, se está aqui já sei a resposta.
Pode entrar vai, senta aqui.
Quanto tempo hein? Fazia tempo que a senhora não aparecia por aqui né?
Eu escutei a senhora batendo logo de manhã, mas fingi que não ouvia.
Tinha certeza que ia conseguir te espantar hoje, mas não teve jeito.
Teimosa a senhora hein?
Mas vamos lá, já que entrou fique a vontade.
A senhora sabe que não é bem vinda aqui, mas tudo bem, sei que nunca vai me abandonar completamente mesmo…
Agora, presta bem atenção.
Vou te deixar ficar por aqui hoje, mas trate de se virar por aí sem mim.
Por que não vou te receber de novo por um bom tempo ok?
É, quero só ver mesmo.
Quer alguma coisa pra beber?
O que? Suco de limão sem açúcar?
Eca… a senhora e esse mal gosto de sempre.
Mas vamos lá vou fazer uma jarra então.
Nossa, a senhora lembra? A um bom tempo atrás?
Eu insistia em te ignorar, achava que não era comigo que queria falar.
Que besteira né?
Mas também quando te dei ouvidos, tá louco hein?
A senhora veio com tudo lembra?
Mas acho que foi melhor. Agora pelo menos nós temos uma relação mais honesta não é?
A senhora prefere assim?
Eu também.
Mas sinceramente, não entendi o motivo da visita de hoje.
Eu passei mal de manhã mas fiquei bom logo e fui trabalhar.
Tá bom eu sei, enquanto passava mal me senti desesperado por estar sozinho.
Mas depois tive ajuda e consegui melhorar e ir pro trabalho.
Tá pare de rir, isso não combina com você.
Trabalhar no feriado pode ser engraçado mas eu tinha que ir ué!
É, você sabe que a tempos meu trabalho não me traz grande empolgação, mas hoje até que rendeu bem o dia.
Fui almoçar com um amigo, rimos e conversamos.
Conversei com outras pessoas que gosto pela internet e tal.
Tá vendo não tinha tanto motivo assim pra ficar aí querendo entrar desesperada.
É, teve sim. Verdade, achei que ia estar com uma pessoa hoje, que queria muito ver e acabou não dando certo.
Mas imprevistos acontecem mesmo…
A senhora é difícil hein?
Sim, fiquei chateado, mas ia fazer o que?
Tá, eu sei, tem aquela saudade diária de várias coisas e pessoas, mas isso nem conta mais não é?
O que? Vai acumulando?
Pode parar com isso.
Se for assim vou providenciar um quarto pra você morar aqui junto comigo.
Por que a senhora bem sabe que essa saudade não tem solução fácil.
A do meu filho não precisa nem falar não é?
O vazio aqui dentro e a falta que ele faz é mais ou menos como ter uma dor de dente, ou uma pedra no rim, todos os dias.
Só que essa dor não passa e não dói fisicamente…
Ah e tem ainda a saudade de pessoas que já não estão mais aqui entre nós.
Pra essas não tenho nem como ligar, a senhora sabe.
Ih, mas não vem com essa não, essas que acabou de citar, eu sei que posso ligar, mas elas já passaram.
Ficaram por um tempo, foram importantes, mas não me fazem sentir mais nada.
Uma talvez até façaz sentir, mas ela justificaria a visita da Dona Raiva e não da senhora, entendeu?
Ah tá, bem lembrado… sim tem essa aí que por fim nem entrou na minha vida direito, mas que me ocupa tanto os pensamentos.
Engraçado isso né?
Ela conseguiu ser diferente de tudo o que já vi e vivi.
Hoje vejo que foi a única que me marcou de verdade.
Difícil de explicar.
Mas concordo.
Se bem que lembrar dela sempre me faz bem e não mal.
Então, mais uma vez, sua visita não tem justificativa, tá vendo?
A pós?
É vou ter que adiar mais uma vez, tem razão.
Mas por outro lado tem o curso de cinema que está sendo fantástico.
Vamos rodar o curta no próximo mês tá sabendo?
Não, não, melhor a senhora não ir lá ver… até por que nem vou poder te dar atenção no dia.
Mas depois vamos colocar o filme no youtube e eu te mando o link, tá bom?
Lembra de mais alguma coisa?
Tá, mas sempre tem uma coisinha aqui e outra ali mesmo ué, nada a ver.
Bom você já tá aqui, já espantou o Senhor Bom Humor mesmo, então fica de boa aí.
Até por que tá frio e já tá tarde pra senhora ir embora.
Mas olha, escute bem por que não vou repetir.
Eu vou dormir.
Se quando eu acordar a senhora ainda estiver aqui, nem queira saber o que vai te acontecer.
Ok?
E nem vem com esse beicinho, por que a senhora já não me engana mais não, tá certo?
Estamos conversados?
Tá jóia. Tenha uma boa noite então…
Ai, ai, olha eu de novo com minha mania de ser educado.
Tchau, vai!

Doze de Junho

Publicado 13 de junho de 2011 por anderson.
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Dia dos namorados:
Peguei o amor da minha vida e fomos passear no shopping.
Nos divertimos muito.
Conversamos bastante.
Falamos sobre o futuro e sobre histórias do passado.
Trocamos carinhos e olhares.
Agradeci a Deus por ter essa pessoa em minha vida e por amá-la tanto.
Ao final do nosso encontro, deixei essa amada pessoa em casa e senti mais uma vez a sensação de vazio que sempre me toma quando temos que nos separar. Mas isso mostra o quanto é grande o meu amor.
Te amo meu filho.

(esse foi depois de muitos anos, meu primeiro dia dos namorados sem namorada e assim como os outros foi ótimo!!!)

Esse é o meu trabalho…

Publicado 4 de maio de 2011 por anderson.
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– Cliente liga dizendo que uma determinada tela do sistema está demorando 3 minutos e 50 segundos para abrir.
– Verifico a tela que ele apontou e confirmo o problema.
– Num trabalho minucioso, que exigiu máxima atenção, conhecimento técnico, muito raciocínio e até uma certa dose de criatividade, durante praticamente um dia todo, reviso o código e refaço os trechos em que encontrei a maior lentidão.
– Consigo reduzir o tempo de abertura da tela de 3 minutos e 50 segundos para meros 3 segundos.
– Mostro para todos na empresa minha proeza e eles admiram imensamente meu trabalho.
– Envio a correção para o cliente.
– Ligo para o cliente e peço para que abra a tela novamente. Fico esperando sua reação.
– Ele diz: abriu a tela aqui, mas acabei de lembra que tem um relatório que tá saindo com uns valores errados.

Retorno

Publicado 23 de março de 2011 por anderson.
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Faz tempo que não escrevo nada aqui.
Podia dizer que foi por falta de tempo, por falta de vontade, falta de inspiração, ou falta do que dizer. E acho mesmo que foi um pouco de cada coisa. Some-se a isso uma viagem de carnaval, uma fatalidade na família e muito, muito trabalho desde que o ano começou.
Meu dia de 24 horas não está sendo suficiente. Precisava de umas 30 ou 36 horas pra conseguir fazer tudo.
Mas é isso. Nesse momento estou caindo de sono, mas me bateu saudade de escrever alguma coisa aqui.
Pronto escrevi. Agora já posso ir dormir e amanhã recomeçar tudo de novo e quem sabe de um jeito diferente.

Vítimas das chuvas

Publicado 17 de janeiro de 2011 por anderson.
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Vinha acompanhando o drama que as chuvas causaram na região serrana do Rio meio de longe, mas no sábado vi uma reportagem que me deixou angustiado. Depois ontem, fiquei mais ainda. Quanta dor, quanto sofrimento estão passando aquelas pessoas.
Acordei hoje com a sensação de que tinha que fazer alguma coisa para ajudar aquelas pessoas.
Achei alguns sites que indicavam locais para doação e contas para depósito. Fiz então uma doação, uma quantia bem pequena (10 reais), mas creio que esse pouquinho pode ajudar alguém.
Seguem os links, caso alguém queira ajudar também:

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/13/saiba-onde-fazer-doacoes-para-as-vitimas-das-chuvas-na-regiao-serrana-do-rio-923493209.asp
http://eptv.globo.com/campinas/noticias/NOT,1,1,331780,Quer+ajudar+as+vitimas+das+enchentes+.aspx

Para finalizar, sobre o ocorrido, acho que os governantes têm sua parcela de culpa e das bem grande ainda, já que todo começo do ano essa novela se repete. Por que não fazem nada? É a pergunta que fica no ar.
Mas apesar disso acho que o buraco é mais embaixo. Vi uma matéria a algumas semanas atrás mostrando um gráfico com o número de desastres naturais ocorridos no último século. O crescimento é espantoso! Quem quiser pode conferir no link: http://maps.grida.no/go/graphic/trends-in-natural-disasters
Acho que o nosso planeta está claramente gritando: “por favor, me salve antes que seja tarde”, porém poucos conseguem ouvir isso.

The Godfather

Publicado 6 de janeiro de 2011 por anderson.
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Assistir um bom filme é realmente um tempo bem gasto da vida.
Peço desculpas a quem gosta de coisas do tipo “Velozes e Furioso” e outros do gênero,  mas não é desse tipo que vou escrever aqui. Embora até assista e ache que de vez em quando faça bem esses filmes estilo “desligue o cérebro e só olhe as cenas”, gosto mesmo é de filmes que coloquem minha cabeça pra funcionar bastante. Por que,  quando assistimos a um filme bem feito e com uma boa história a contar, fazemos dele uma verdadeira aula sobre os mais diversos assuntos.
Quando assisti “Uma Mente Brilhante” por exemplo, mudei totalmente minha visão sobre pessoas com doenças mentais. “Menina de Ouro” me vez ver a eutanásia com outros olhos. “Dogville” me mostrou a essência oportunista e egoísta do ser humano e muitos outros filmes me abriram os olhos para aspectos da vida que passavam despercebidos.
Nesse final de semana assisti “O Poderoso Chefão”. Já tinha assistido ao filme em outra ocasião, mas dessa vez, ao vê-lo novamente, pude refletir sobre cada cena, cada ação mostrada e pensar um pouco mais a respeito.
Embora o filme conte a história de uma família mafiosa fodona (e criminosa), ele mostra uma relação com outras famílias da máfia e mesmo entre os membros da mesma família muito interessante. Muitos elementos ali presentes, nas atitudes dos personagens, na postura diante das situações são admiráveis e servem como um aprendizado para trazermos aos dias atuais.
Vou relatar algumas partes que me marcaram:

No início do filme, Don Corleone (o pai da família e chefe da máfia) diz a um dos filhos para jamais se colocar contra sua família. Durante toda a história vemos várias demonstrações do grande respeito, orgulho e comprometimento que cada membro tem pelos seus irmãos (de sangue ou não).
O fato é que isso teve um significado profundo pra mim. Mesmo tendo um irmão porra louca que não se dê muito bem com a gente ou tendo um pai que não nos dá muita atenção e embora tendo vontade de mandá-los para a ponte que partiu algumas vezes (pra não dizer quase sempre), temos que lembrar sempre que são essas as pessoas que estarão ao nosso lado nas horas críticas da vida. Claro que existem amigos que também estão sempre ao nosso lado para qualquer momento, mas nossa família é quase garantida que esteja.
Esse fato no filme só serviu para marcar com mais força o que já tinha presenciado diante dos meus olhos. Na penúltima internação da minha mãe, antes dela partir, lembro-me de uma cena, no momento em que trocamos de turno (eu havia dormido a noite com minha mãe e minha irmã iria ficar com ela logo depois). Meu irmão e meu pai subiram para visitá-la. Peguei minhas coisas para ir embora e quando olhei estávamos ali, todas da família reunidos. Somente nós. Embora tivéssemos chamado várias pessoas para ajudar naquele momento, nenhuma pôde e nós nos desdobramos para não deixar minha mãe um segundo sequer sem alguém ao seu lado.

Num certo momento da história, Michael, um dos filhos Corleone, se vê obrigado a abandonar sua então namorada. Ele não hesita em mandá-la embora, mesmo amando-a muito, pois sabia que se ela continuasse por perto poderia sofrer graves conseqüências.
Essa atitude me chamou muito a atenção. Quantas pessoas que amam são capazes de deixar a outra pessoa partir, mesmo sabendo que é o melhor pra ela? Acho que bem poucas. O que vemos com mais freqüência é a pessoa que diz que ama correr atrás da amada como se ela fosse fundamental para sua vida, como se sem ela o seu coração fosse parar de bater. Pergunto-me se isso é amor ou egoísmo. Amar é respeitar, é querer o melhor, é desejar a felicidade e não manter por perto apenas para nos fazer bem.
Como no exemplo acima também já vivi uma situação assim. Já me afastei de quem desejava estar perto, mas sabia que era o melhor para a outra pessoa e consequentemente para mim também. Precisei matar um sentimento fortíssimo para seguir em frente e deixar o caminho da outra pessoa aberto para ela ser feliz.

Outra cena que me fez pensar bastante, inclusive fazendo com que a pessoa que assistia ao filme comigo fizesse um comentário sobre os dias atuais, foi quando Michael, que estava na Itália, refugiado, conhece uma moça. Ele se encanta com ela no primeiro olhar. Vai atrás para saber quem ela é, mas acaba conhecendo seu pai. Ele então pede permissão ao pai para conhecer a moça. O pai permite, mas ele só vai ter um primeiro contato com ela passadas várias horas depois desse primeiro encontro e ainda sob supervisão das tias. Com o tempo ele acaba se casando com ela.
Claro que não defendo casamentos arranjados como se fazia antigamente. Acho muito saudável como hoje acontece, de se ter a possibilidade de conhecermos várias pessoas, termos relacionamentos sem compromisso, ganharmos experiência conhecendo várias pessoas diferentes e principalmente termos a liberdade de deixar para trás quem não nos proporciona felicidade. Creio que o mundo evoluiu nesse campo, porém, algumas coisas ficaram para trás. Uma delas foi o respeito. Muitas pessoas tratam a outra com total desconsideração em alguns casos. Num dia estão juntos. No outro nem se cumprimentam ou fingem que absolutamente nada aconteceu. Não vou ser hipócrita e me isentar disso por que já fiz coisas do tipo, mas ao ver uma cena tão respeitosa e cheia de princípios como a do filme, me senti um pouco incomodado por fazer parte desse mundo atual. Acho que devemos sempre lembrar que do outro lado sempre existe uma pessoa, que tem família, sonhos e sentimentos. Se ela já não desperta nosso interesse, basta comunicá-la. Tenho certeza que esse respeito e essa educação resultarão muito mais em alegrias do que a magoa de deixá-la “entender” que ela não mais fará parte de sua vida.
Posso estar exagerando nisso, mas acho que bem lá no fundo serve como um puxão de orelhas sim, pelo menos para mim.

Enfim, pensei, “que filme maravilhoso”. Poderia escrever mais uma dezena de considerações sobre a história, seus personagens e as lições a se tirar, mas acho que já está de bom tamanho e  não quero cansar quem já chegou até aqui. Em breve assistirei a segunda parte e se tiver reflexões interessantes a fazer (e tenho certeza que terei), volto a postar aqui.