Arquivo para maio 2010

Lindas e talentosas 2 – Lily Allen

28 de maio de 2010

Ela escreveu essa música que tem uma letra muito inteligente. Tem uma voz suave e um sotaque inglês super gostoso de ouvir. Não bastasse tudo isso ainda é linda.

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Divagações sobre uma sociedade impositora

26 de maio de 2010

Me chamou a atenção um depoimento que um grande amigo meu tem em seu orkut. Vou retirar dois trechos dele. O primeiro com alguns elogios:
“tem um coração que não existe,é um cara fantástico,é contagiante a alegria e energia positiva que ele passa para as pessoas,eu quando estou ao lado dele sinto isso,além de ser um homem romântico como poucos,gentil,educado,um verdadeiro “cavalheiro”.”
O segundo com alguns votos:
“Que concretize todos os seus sonhos,e que encontre alguém que o faça realmente feliz.”
Pois bem, o que me chamou realmente a atenção, depois dos elogios aos quais ele faz totalmente por merecer, foram os votos finais. Alguém que o faça realmente feliz? Como assim?
Quer dizer que ele não é feliz? Ok, ela deve estar desejando que ele encontre uma mulher que o faça se sentir bem, que de amor, carinho e se diverta ao seu lado. Mas tudo isso não garante que ele será feliz. A felidade dele, depende única e exclusivamente dele mesmo. E ela pode vir estando ele solteiro, casado, namorando ou divorciado.
Infelizmente a mentalidade da grande maioria dita que você deve nascer, crescer, brincar, estudar, trabalhar, namorar, casar, ter filhos, se aposentar,  ter netos, ficar doente e morrer. Se alguma coisa fugir desse esquema padrão, pronto, passam a olhar pra você e pensar: coitado, ainda não casou. Olha que dó, eles não tem filhos. Veja que pena ele já tem netos e ainda trabalha.
Mas é interessante observar as pessoas que pensam assim, pois elas sofrem pelos que fogem a essas regras, o que não deixa de ser nobre, pois mostra que se importam com o próximo.
Por outro lado seria muito melhor que cada um, dentro dos limites do respeito e da dignidade, fizesse aquilo que te deixa feliz, só isso e fim. Olha que fácil.
Mas sei que isso é difícil. Temos a tendência natural a achar que quem tem um pensamento diferente do nosso está “errado”. Creio que isso seja uma forma de lei da sobrevivência, pois assim sempre seguimos acreditando em nós mesmos. Racionalizar a parte que nos deixa achar que o outro que pensa diferente, pode também estar certo, colocaria em cheque nossa luta pelos objetivos e metas de vida. Sei lá, estou só levantando uma teoria.
Tenho então que respeitar quem pensa diferente de mim e que acha que aquela forma padrão de vida é o que garante a felicidade. Já pensei assim também e só mudei quando vim para o lado marginal(me separei) e vi como toda aquela idéia era vaga.
Foi bom ter mudado. Hoje pra mim, viver se tornou algo infinitamente mais fácil. Aceitar o que a vida te trás e saber que só podemos controlar algumas poucas coisas ao nosso alcance dá uma sensação de menos responsabilidade e mais liberdade.
Ao contrário do que sugeriram ao meu amigo, não precisei de ninguém para me fazer realmente feliz. Eu mesmo assumi essa responsabilidade.

A criança que calou o mundo por 5 minutos

26 de maio de 2010

Encontrei esse video meio sem querer no youtube e achei muito interessante.
Não sei se o texto lido pela garotinha foi pensado por ela, como alguns colocaram nos comentários do vídeo, mas que a mensagem mesmo assim é um tapa na cara dos governantes, isso é.

Lost – The end

26 de maio de 2010

Ontem assisti o último episódio de Lost.
Ao final do episódio e da série de seis temporadas, me senti alegre e triste ao mesmo tempo. Alegre por ver um belíssimo final e triste por saber que aqueles personagens não estarão mais presentes na minha vida.
Acredito que muitos vão reclamar da forma como tudo acabou, das respostas que não foram dadas, de novas perguntas criadas apesar de alguns mistérios não explicados, mas para mim Lost nunca foi atraente pelos mistérios ou teorias, mas sim pelos excelentes personagens e o desenvolvimento deles durante todas as temporadas.
Ver pessoas que se transformaram ao longo do tempo, que aprenderam com os erros, que mudaram a forma de pensar em virtude de um trauma e que se desenvolveram naturalmente, sem jamais parecerem artificiais ou forçadas em suas transformações, isso sim foi o que me prendeu à série e fez esperar cada episódio com grande ansiedade.
Muitas vezes tirei lições importantes de atitudes ou frases ditas por alguns personagens e isso sempre me cativou em séries, filmes ou livros. A possibilidade de aprender algo com essas histórias é sempre gratificante.
O último episódio inclusive foi muito tocante nesse sentido, pois deixou uma mensagem bonita de esperança e amor.
Enfim,  foi muito bom ter a companhia de Lost durante esse tempo e todo o sucesso e repercussão que a série teve foi merecidíssimo.
Namastê.

Papeis invertidos

21 de maio de 2010

Sempre fico imaginando o dia em que meu filho estará na adolescência. Acho que todo pai teme essa fase, pois nós sabemos que eles começarão a ganhar uma certa independência, começarão a entender melhor o mundo e palavras como sexo, amor e trabalho farão mais sentido também. Aliado a isso, o fato de sairem mais para o mundo deixa-os expostos aos grandes fantasmas dos dias atuais: as drogas e a violência.
Meu filho ainda tem seis anos e levará pelo menos mais seis ou um pouco mais para ele atingir essa fase. Mas por que falo disso então?
É que hoje fui surpreendido por esse sentimento de preocupação, só que não pelo meu filho, mas sim pelo meu pai. Isso mesmo, meu pai, agora viúvo e se sentindo muito solitário resolveu sair para o mundo e hoje foi para um forró. Cheguei em casa e não vi ele. Fique pensando, onde será que ele está? Será que está seguro? Com quem será que está? Já está tarde, será que ele está bem? Será que ele arrumou outra pessoa? Como será que ela é? E se ele resolver usar alguma droga(mesmo que for só aquela pílula azul)?
Meu Deus, quantas perguntas e pensamentos… Mas parei um pouco e me perguntei, quantas vezes meu pai pensou isso a meu respeito?
Uma confusão se fez na minha cabeça. Fiquei pensando nisso e fui perguntar ao meu irmão se sabia do meu pai. Ele sabia sim. Meu pai já estava no quarto dele e dormindo. Voltou para casa bem e sozinho. Ufa…
Não é fácil ser pai. Não é fácil ser filho.

O amor por entre o verde

17 de maio de 2010

Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns 13 anos, o corpo elástico metido nuns blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, 16, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida. Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na sua extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem dariam para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.

Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhes os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a perscrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo.
Que será, pergunto-me eu em vão, dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com os cabelos presos?
E se prosseguirem se amando, pergunto-me novamente em vão, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?
É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado… Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que freqüentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.
E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.

Vinicius de Moraes
in Poesia completa e prosa: “Para viver um grande amor”

Lindas e talentosas 1 – Alicia Keys

13 de maio de 2010

Gosto bastante das séries que alguns blogs fazem.
Então vou fazer a minha também.
Para inaugurar a séria “Lindas e talentosas”, começo com Alicia Keys cantando e tocando essa música que não consigo parar de ouvir nos últimos dias.