Arquivo para junho 2010

Eu mereço?

23 de junho de 2010

Tive o grande previlégio de assistir certa vez a uma palestra do Bernardinho, técnico da seleção brasileira de voley. Sendo um dos técnicos mais vitoriosos do mundo ele sabe como poucos, motivar pessoas e tirar delas o máximo de suas capacidades.
O momento que me chamou mais a atenção, foi quando ele falou sobre o “senso de merecimento” que tentava transmitir aos seus jogadores. Explicou  então que fazia os atletas treinarem exaustivamente, debaixo de chuva ou em lugares totalmente inusitados como estacionamentos de hotel, sempre insistindo nessa rotina. Nos momentos decisivos ele lembrava a todos dos treinamentos árduos e de todo tempo e sacrifício que tiveram para chegar ali. Perguntava então para seus comandados:
– Será que eles merecem mais do que nós ganhar essa partida? Será que eles treinaram na chuva, perderam finais de semana com a família e se sacrificaram tanto como nós? Tenho certeza que não. Nós sim merecemos, então mostrem isso a eles.
Desde então esse ensinamento passou a fazer parte da minha vida e é impressionante como ele faz todo o sentido. Muitas vezes reclamamos, ficamos desanimados ou tristes com certas situações ou posições em que nos encontramos. Mas o correto seria sempre nos perguntarmos: será que eu mereço uma situação diferente dessa? O que eu fiz pra merece coisa melhor?
Sempre é difícil admitir, mas na maioria das vezes estamos exatamente onde deveríamos estar. Claro que muitas injustiças acontecem e uma pessoa totalmente merecedora de uma posição de destaque pode estar sendo encoberta por outra que não merece. Porém analisando melhor, a pessoa que se diz injustiçada precisa mostrar que merece aquela posição para merecer estar lá, mesmo que para isso tenha que mudar de ambiente para ser vista.
Embora essas ponderações levem a pensar em situações relacionadas a aspectos profissionais, essa questão se estende para todas as áreas da nossa vida e não é difícil identificarmos cada fator que indica que temos exatamente o que merecemos em todos os lugares. Se acharmos que não temos, é por que algo precisa ser feito para merecermos aquilo, pode ter certeza.
Uma frase de Aristóteles resume muito bem tudo o que eu tentei dizer:
“A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.”

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Get Out

16 de junho de 2010

Fantástico esse curta! Vale a pena assistir para se surpreender com o final.

Irônico destino

15 de junho de 2010

No primeiro dia de aula Marcos sentou lá na frente. Queria estar perto do professor e daquele mundo novo que se iniciava. Estava empolgado porque iria aprender muitas coisas novas e fazer boas amizades. Mas eis que o destino lhe prega a primeira peça.
Algumas fileiras ao lado ele avista a menina que invadiria seu pensamento sem pedir licença e ali ficaria por vários anos. Valéria era linda e todos os meninos sonhavam em pelo menos chegar perto dela para conversar.
Marcos era apenas mais um desses meninos.
Os anos se passaram e ele sempre estudava na mesma sala que ela. Porém ela nunca dava-lhe a devida atenção, embora ele se esforçasse bastante para despertar o mínimo interesse que fosse.
E assim foi por anos. Mesmo com uma amizade apenas superficial do lado dela, ele sonhava ainda em conquistá-la. Mas isso não aconteceu. Pelo menos não nos anos que se seguiram.
Agora, como o destino sempre dá um jeito de fazer reviravoltas nas vidas das pessoas, eis que quase vinte anos depois a maior delas acontece.
Ela, desde que saiu da escola, teve uma vida turbulenta. Casou-se, teve quatro filhos, sofreu com um marido drogado por vários anos até que ele finalmente passou dessa para melhor. O tempo tratou de deixa-la com um rosto cansado, um corpo bem diferente de sua época de adolescência e vários indícios bem visíveis dos anos de sofrimento.
Ele ao contrário, não se casou, tornou-se um profissional bem sucedido, tinha carro, casa e curtia ao máximo sua vida com baladas e viagens sempre que podia. O tempo acabou por deixá-lo mais experiente, jovial e alegre, por ter conquistado tantas coisas na vida.
Se reencontraram novamente num supermercado.  Ele a reconheceu imediatamente assim que a viu. Se aproximou e perguntou se ela se lembrava dele. Ela fez um pequeno esforço e acabou se lembrando. Começaram a conversar, ele demonstrou interesse em saber tudo o que havia acontecido com ela desde a época da escola. Ela acabou se interessando pelo interesse dele. Trocaram telefones. Ele ligou e convidou-a para sair.
Marcos sentiu que a vida lhe dava uma segunda chance. Uma nova oportunidade de renascer uma antiga paixão. Preparou-se então para o encontro. Colocou a melhor roupa, pegou o presente e o cartãozinho, caprichou no perfume e partiu para buscá-la em sua casa. Chegando lá quando a viu, bem diferente do que tinha encontrado no mercado, sentiu algo novo por ela. Partiram então para a noite que os esperava.
Pararam num barzinho discreto e calmo, ótimo para conversarem tudo o que não foi dito durante vários anos. Ele entregou o presente e viu sua expressão de alegria ao ler o cartão. Sentiu  novamente aquele novo sentimento.
Conversaram por longas horas, relembraram velhas histórias, amigos que se foram, comentaram sobre suas vidas, riram e ficaram sérios em alguns momentos. Foram embora e durante a despedida, aquilo que Marcos esperou por tanto tempo finalmente aconteceu. Sua boca tocou a boca dela. Finalmente tinha conseguido beijar a mulher que morava a tanto tempo em seu pensamento.
Chegou em casa lembrando de cada detalhe da noite. Deitou-se, mas demorou um pouco para adormecer.
No dia seguinte, conseguiu refletir melhor sobre tudo o que se passara no dia anterior. Em sua cabeça, deveria estar feliz, radiante, mas não estava. Seu passado de sonho e beleza havia se chocado com um presente real e nada belo.
Ele deparou-se com uma mulher sofrida, cheia de problemas e tentando encontrar algo que a alegrasse. Não era o mundo ao qual ele estava acostumado. Não era o tipo de pessoa que ele idealizara para sua vida. Mas o mais difícil foi lidar com um novo sentimento que ele havia notado. O sentimento de pena. Sentimento esse incompatível com qualquer hipótese de se firmar um relacionamento.
Ligou para ela no dia seguinte, conversaram e ele tentou explicar que não haveria nada além do que amizade entre os dois. Ela não conseguiu entender. Procurou-o por dias ainda. Mandava mensagens e ligava. Tentava de todas as formas reencontrar aquele que lhe deu algumas horas de alegria.
Mas ele não podia. Achava-se egoísta por isso. Mas tinha que ser sincero com seus sentimentos.
Passaram-se vários dias, com ela insistindo em ser sua mulher e ele se oferecendo para ser um amigo. Resolveu por fim não ser nada.
Lembrou-se do primeiro dia de aula e dos primeiros anos que estudou com ela. Pensou em toda a história e no final que estava tendo. Chegou a imaginar que alguém lá em cima, aquele que comanda as nossas histórias, estava rindo muito de tudo isso. Sentiu-se um ator de filme de comédia. Mas por fim, resolveu aceitar seu destino. Decidiu inverter os papeis da época de colégio. Não por vingança, nem pelo gostinho de ter conquistado o que queria e já não ter mais interesse no alvo de desejo, mas apenas e somente por aceitar o que a vida fez. Simples assim.

Black – Legendagem

8 de junho de 2010

Esse vídeo é hilário. Uma re-tradução(essa palavra existe?) da música do Peal Jam.

Conexões

2 de junho de 2010

Vou tentar fazer uma reflexão sobre um assunto que não tenho muito conhecimento, mas que por outro lado acho que ninguém tem.
Esse texto na verdade está sendo escrito na minha cabeça já tem um tempo, mas foi hoje de manhã que ele tomou forma e durante o dia foi se desenvolvendo.
Começou com um e-mail que recebi de manhã de uma prima minha. Não lembro do que ele falava, mas notei que ele era direcionado apenas para algumas pessoas e entre elas estava meu endereço. Creio que eram todos amigos e amigas e apenas um primo, eu. Hoje a tarde, bem quando pensava nesse assunto uma outra prima me chamou no msn e conversamos durante um tempo. Tenho muitos primos, uma família enorme, mas essas duas primas são especiais. Pensei nisso e fiquei com o assunto na cabeça. Vou tentar desenvolvê-lo então.
Muitas pessoas passam por nossas vidas e da maioria delas nem lembramos os nomes. Outras são lembradas por algum momento marcante, por alguma afinidade ou ela faz parte de alguma história que ficou gravada em nossas mentes. Mas são pessoas passageiras também. Depois tem aquelas pessoas com as quais temos uma espécie de coleguismo, por que nos fazem rir, por gostarem da gente, por terem gostos em comum e por outros vários fatores. Mais adiante, temos aquelas pessoas com as quais fazemos uma amizade mesmo. São pessoas nas quais confiamos, gostamos de estar junto, sentimos saudade e mantemos contato por muito tempo, claro dependendo de como a vida segue para ambos os lados.
Pronto, citei alguns tipos de ligações que no meu modo de enxergar o mundo, nós temos com as pessoas a nossa volta, independente de serem amigos, parentes ou companheiros. Mas não é de nenhuma dessas que eu queria comentar. O que me motivou a escrever esse texto foi tentar entender relações que estão acima dessas. São aquelas com pessoas que você conhece e imediatamente, não se sabe por que, se estabelece uma cenexão invisível. São aquelas pessoas que depois de conversar por algum tempo você fala assim: “parece que eu te conheço a muito tempo”, ou mesmo, como no caso das primas que citei, quando converso com elas sei que entendem exatamente o que eu tento transmitir e eu entendo exatamente o que elas querem me dizer.
Pois bem, esse tipo de ligação sempre me fascinou. Como citei antes para todas as outras pessoas existe uma explicação aceitável do por que gostamos delas ou por que elas fazem parte de nossas vidas. Mas para essas pessoas especiais, para esse tipo de ligação, não existe essa explicação fácil. Já ouvi algumas pessoas dizerem que quando duas pessoas têm essa conexão é por que em vidas passadas eram muito próximas. Outras dizem que é porque os signos combinam. Já ouvi falar também que o cheiro é responsável pelas pessoas se darem bem ou não. Racionalmente tento acreditar que seja por uma questão de gosto, identificação física e por essa outra pessoa nos fazer bem e proporcionar uma sensação boa de felicidade.
São várias teorias que mesmo assim nada explicam. O fato é que existem algumas pessoas com as quais tenho uma ligação que vão além do meu entendimento. São pessoas que no meio de uma tarde, enquanto bebo um copo d’água, me vêm à cabeça com toda a força. São pessoas das quais não sinto saudade, sinto falta mesmo, como se fosse um pedaço meu que está fora do corpo. São pessoas que com duas palavras são capazes de me fazer sorrir, mesmo eu  estando na mais profunda tristeza. São pessoas que as vezes aparecem nos meus sonhos sem muita explicação. São pessoas que conseguem me ver lá por dentro, e me aceitam assim.
Interessante é que tenho nesse seleto grupo, pessoas que estão a muito tempo em minha vida e outras que conheci a bem pouco tempo. Fique claro que, o que eu tento analisar não tem nada a ver com paixão ou relacionamentos. A conexão da qual eu falo pode ocorrer entre duas pessoas quaisquer e pode até se desenvolver para se tornar um amor ou uma paixão(o que é fenomenal), mas pode simplesmente se tornar uma amizade muito forte.
Não sei se todos entenderão onde eu queria chegar, mas também eu não queria chegar em lugar nenhum mesmo. Essa é mais uma das coisas da vida que nem é importante saber o por que, mas simplesmente saber que existe e que faz parte das coisas boas da vida.
Ter então uma pessoa com a qual se tem esse tipo de conexão é algo fantástico e uma experiência que não se consegue descrever tão facilmente, como acabei de provar.