Arquivo para janeiro 2011

Vítimas das chuvas

17 de janeiro de 2011

Vinha acompanhando o drama que as chuvas causaram na região serrana do Rio meio de longe, mas no sábado vi uma reportagem que me deixou angustiado. Depois ontem, fiquei mais ainda. Quanta dor, quanto sofrimento estão passando aquelas pessoas.
Acordei hoje com a sensação de que tinha que fazer alguma coisa para ajudar aquelas pessoas.
Achei alguns sites que indicavam locais para doação e contas para depósito. Fiz então uma doação, uma quantia bem pequena (10 reais), mas creio que esse pouquinho pode ajudar alguém.
Seguem os links, caso alguém queira ajudar também:

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/13/saiba-onde-fazer-doacoes-para-as-vitimas-das-chuvas-na-regiao-serrana-do-rio-923493209.asp
http://eptv.globo.com/campinas/noticias/NOT,1,1,331780,Quer+ajudar+as+vitimas+das+enchentes+.aspx

Para finalizar, sobre o ocorrido, acho que os governantes têm sua parcela de culpa e das bem grande ainda, já que todo começo do ano essa novela se repete. Por que não fazem nada? É a pergunta que fica no ar.
Mas apesar disso acho que o buraco é mais embaixo. Vi uma matéria a algumas semanas atrás mostrando um gráfico com o número de desastres naturais ocorridos no último século. O crescimento é espantoso! Quem quiser pode conferir no link: http://maps.grida.no/go/graphic/trends-in-natural-disasters
Acho que o nosso planeta está claramente gritando: “por favor, me salve antes que seja tarde”, porém poucos conseguem ouvir isso.

The Godfather

6 de janeiro de 2011

Assistir um bom filme é realmente um tempo bem gasto da vida.
Peço desculpas a quem gosta de coisas do tipo “Velozes e Furioso” e outros do gênero,  mas não é desse tipo que vou escrever aqui. Embora até assista e ache que de vez em quando faça bem esses filmes estilo “desligue o cérebro e só olhe as cenas”, gosto mesmo é de filmes que coloquem minha cabeça pra funcionar bastante. Por que,  quando assistimos a um filme bem feito e com uma boa história a contar, fazemos dele uma verdadeira aula sobre os mais diversos assuntos.
Quando assisti “Uma Mente Brilhante” por exemplo, mudei totalmente minha visão sobre pessoas com doenças mentais. “Menina de Ouro” me vez ver a eutanásia com outros olhos. “Dogville” me mostrou a essência oportunista e egoísta do ser humano e muitos outros filmes me abriram os olhos para aspectos da vida que passavam despercebidos.
Nesse final de semana assisti “O Poderoso Chefão”. Já tinha assistido ao filme em outra ocasião, mas dessa vez, ao vê-lo novamente, pude refletir sobre cada cena, cada ação mostrada e pensar um pouco mais a respeito.
Embora o filme conte a história de uma família mafiosa fodona (e criminosa), ele mostra uma relação com outras famílias da máfia e mesmo entre os membros da mesma família muito interessante. Muitos elementos ali presentes, nas atitudes dos personagens, na postura diante das situações são admiráveis e servem como um aprendizado para trazermos aos dias atuais.
Vou relatar algumas partes que me marcaram:

No início do filme, Don Corleone (o pai da família e chefe da máfia) diz a um dos filhos para jamais se colocar contra sua família. Durante toda a história vemos várias demonstrações do grande respeito, orgulho e comprometimento que cada membro tem pelos seus irmãos (de sangue ou não).
O fato é que isso teve um significado profundo pra mim. Mesmo tendo um irmão porra louca que não se dê muito bem com a gente ou tendo um pai que não nos dá muita atenção e embora tendo vontade de mandá-los para a ponte que partiu algumas vezes (pra não dizer quase sempre), temos que lembrar sempre que são essas as pessoas que estarão ao nosso lado nas horas críticas da vida. Claro que existem amigos que também estão sempre ao nosso lado para qualquer momento, mas nossa família é quase garantida que esteja.
Esse fato no filme só serviu para marcar com mais força o que já tinha presenciado diante dos meus olhos. Na penúltima internação da minha mãe, antes dela partir, lembro-me de uma cena, no momento em que trocamos de turno (eu havia dormido a noite com minha mãe e minha irmã iria ficar com ela logo depois). Meu irmão e meu pai subiram para visitá-la. Peguei minhas coisas para ir embora e quando olhei estávamos ali, todas da família reunidos. Somente nós. Embora tivéssemos chamado várias pessoas para ajudar naquele momento, nenhuma pôde e nós nos desdobramos para não deixar minha mãe um segundo sequer sem alguém ao seu lado.

Num certo momento da história, Michael, um dos filhos Corleone, se vê obrigado a abandonar sua então namorada. Ele não hesita em mandá-la embora, mesmo amando-a muito, pois sabia que se ela continuasse por perto poderia sofrer graves conseqüências.
Essa atitude me chamou muito a atenção. Quantas pessoas que amam são capazes de deixar a outra pessoa partir, mesmo sabendo que é o melhor pra ela? Acho que bem poucas. O que vemos com mais freqüência é a pessoa que diz que ama correr atrás da amada como se ela fosse fundamental para sua vida, como se sem ela o seu coração fosse parar de bater. Pergunto-me se isso é amor ou egoísmo. Amar é respeitar, é querer o melhor, é desejar a felicidade e não manter por perto apenas para nos fazer bem.
Como no exemplo acima também já vivi uma situação assim. Já me afastei de quem desejava estar perto, mas sabia que era o melhor para a outra pessoa e consequentemente para mim também. Precisei matar um sentimento fortíssimo para seguir em frente e deixar o caminho da outra pessoa aberto para ela ser feliz.

Outra cena que me fez pensar bastante, inclusive fazendo com que a pessoa que assistia ao filme comigo fizesse um comentário sobre os dias atuais, foi quando Michael, que estava na Itália, refugiado, conhece uma moça. Ele se encanta com ela no primeiro olhar. Vai atrás para saber quem ela é, mas acaba conhecendo seu pai. Ele então pede permissão ao pai para conhecer a moça. O pai permite, mas ele só vai ter um primeiro contato com ela passadas várias horas depois desse primeiro encontro e ainda sob supervisão das tias. Com o tempo ele acaba se casando com ela.
Claro que não defendo casamentos arranjados como se fazia antigamente. Acho muito saudável como hoje acontece, de se ter a possibilidade de conhecermos várias pessoas, termos relacionamentos sem compromisso, ganharmos experiência conhecendo várias pessoas diferentes e principalmente termos a liberdade de deixar para trás quem não nos proporciona felicidade. Creio que o mundo evoluiu nesse campo, porém, algumas coisas ficaram para trás. Uma delas foi o respeito. Muitas pessoas tratam a outra com total desconsideração em alguns casos. Num dia estão juntos. No outro nem se cumprimentam ou fingem que absolutamente nada aconteceu. Não vou ser hipócrita e me isentar disso por que já fiz coisas do tipo, mas ao ver uma cena tão respeitosa e cheia de princípios como a do filme, me senti um pouco incomodado por fazer parte desse mundo atual. Acho que devemos sempre lembrar que do outro lado sempre existe uma pessoa, que tem família, sonhos e sentimentos. Se ela já não desperta nosso interesse, basta comunicá-la. Tenho certeza que esse respeito e essa educação resultarão muito mais em alegrias do que a magoa de deixá-la “entender” que ela não mais fará parte de sua vida.
Posso estar exagerando nisso, mas acho que bem lá no fundo serve como um puxão de orelhas sim, pelo menos para mim.

Enfim, pensei, “que filme maravilhoso”. Poderia escrever mais uma dezena de considerações sobre a história, seus personagens e as lições a se tirar, mas acho que já está de bom tamanho e  não quero cansar quem já chegou até aqui. Em breve assistirei a segunda parte e se tiver reflexões interessantes a fazer (e tenho certeza que terei), volto a postar aqui.